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quinta-feira, 8 de julho de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

Dia 05 de junho - Dia do meio ambiente

Senhor morador,

Gostaríamos de informar que o contrato de aluguel que acordamos há milhões de anos atrás está vencendo. Precisamos renová-lo, porém temos que acertar alguns pontos fundamentais:

* Você precisa pagar a conta de energia. Está muito alta! Como você gasta tanto?
* Antes eu fornecia água em abundância, hoje não disponho mais desta quantidade. Precisamos renegociar o uso.
* Por que alguns na casa comem o suficiente, às vezes até desperdiçam, e outros estão morrendo de fome se o meu quintal é tão grande?
* Você cortou as árvores que dão sombra, ar e equilíbrio. O sol está quente e o calor aumentou. Você precisa replantá-las novamente.
* Todos os bichos e as plantas do meu imenso jardim devem ser cuidados e preservados. Procurei alguns animais e não os encontrei. Sei que quando aluguei a casa eles existiam.
* Precisam verificar que cores estranhas estão no céu. Não vejo mais o azul. * Por falar em lixo, que sujeira hein? Encontrei objetos estranhos pelo caminho! Isopor, pneus, plásticos, latas...
* Não vi os peixes que moravam nos lagos, rios e mares. Vocês pescaram todos? Onde estão?
* Bem é hora de conversarmos. Preciso saber se você ainda quer morar aqui. Caso afirmativo, o que você pode fazer para cumprir o contrato?
Gostaria de ter você sempre comigo, mas tudo tem um limite. Você pode mudar?

Aguardo respostas e atitudes.

Sua casa, a TERRA!

sábado, 17 de abril de 2010

Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.


Autor:Pablo Neruda

terça-feira, 30 de março de 2010

Rubens Alves - Para Refletir.

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Autor: Rubens alves
Trecho do livro "O amor que acende a lua", pág. 65

O rio

"Diz-se que mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes das montanhas,
O longo caminho sinuoso através das florestas, através de povoados
E vê a sua frente um oceano tão vasto que, entrar nele,
Nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira
O rio não pode voltar
Nem você pode voltar


Autor: Desconhecido

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Descompasso

Me querem mãe,
e me querem fêmea.

Me querem líder,
e me fazem submissa.

Me fazem omissa,
e me cobram participação.

Me impedem de ir,
e me cobram a busca.

Me enclausuram nas prendas do lar,
e me cobram conscientização.

Me podam os movimentos,
e me querem ágil.

Me castram o desejo,
e me querem no cio.

Me inibem o canto,
e me querem música.

Me apertam o cinto,
e me cobram liberdade.

Me impõe modelos, gestos,
atitudes e comportamentos,
e me querem única.

Me castram, me podam,
falam e decidem por mim,
e me querem plena e absoluta.

Que descompasso !



Fonte: Autor desconhecido

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Por Antônio Carlos Silva Ferreira

FORTE SÃO MARCELO

No meio do caminho tinha um forte, tinha um forte no meio do caminho”. A pedra que tanto calo deu no sapato do Drummond, em razão das críticas que sofreu, me serve de inspiração para ilustrar o que foi o Forte São Marcelo no meu caminho de conhecer Salvador. Desde os meus tempos de guia de turismo que o Forte São Marcelo permanece ali, encravado na Baía de Todos os Santos, no caminho marítimo entre Salvador e a “intrépida” Ilha de Itaparica, sem que eu pudesse conhecê-lo. Dizia-se que era propriedade da Marinha do Brasil e como instalação militar, ainda que sem uso, não estava aberto à visitação pública.

E eu fui vivendo sem nunca me conformar com a idéia de que conhecia os quatro cantos da cidade, mas não tinha o direito de acariciar com os pés o que Jorge Amado apelidara de o “umbigo da Bahia”. E vez por outra surgia uma notícia de que o forte iria ser reaberto como edificação histórica que é aliando ainda as funções de centro de eventos culturais ou centro de compras e houve até quem falasse em restaurante. Notícias ou boatos a parte, o fato é que ele permanecia lá isolado e a experiência mais próxima de uma visita, que eu tive, foi quando o programa Bahia Náutica apresentou uma reportagem na qual seu apresentador e diretor, Denis Peres, nos levou a percorrer, através da TV, as instalações do forte e chamou atenção para a necessidade de recuperação daquele patrimônio esquecido.

Finalmente, me chega trazendo enorme dose de alegria, a notícia de que o Forte estaria aberto à visitação pública a partir de 12 de novembro. Agora sob os cuidados da ABRAF – Associação Brasileira dos Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos, o Forte São Marcelo pode ser visitado e, em que pese ainda estar carente de recuperação e implantação de infra-estrutura, já se nota o esforço da ABRAF em valorizar o nosso secular guardião.
Adquirimos, no Centro Náutico, o ingresso no valor de R$ 10, que cobre a travessia de barco e um tour guiado nas dependências do forte. A emoção aumentava quanto mais o forte nos parecia se aproximar do barco até o momento histórico em que nosso grupo transpôs o pórtico que dá acesso ao interior da edificação.


Uma pincelada de história

O Forte São Marcelo foi construído, sob um banco de areia, em 1650, visando principalmente evitar o retorno de invasores holandeses, que já haviam atacado Salvador em 1624 e 1638. Construído pelos engenheiros franceses Felipe Guiton e Pedro Garcin, que se sucederam na empreitada, o forte foi concebido em planta circular para permitir à sua artilharia atirar em qualquer direção. O São Marcelo, que sofreu duas reformas no século XVIII, alcançou na segunda metade daquele século seu maior poder de fogo com 54 peças de bronze e ferro. Com esta bateria o Guardião da Cidade da Bahia intimidava e bombardeava naus inimigas que ameaçavam invadir e saquear a cidade.
Teve importante participação nas lutas pela Independência do Brasil na Bahia, consolidada em 02 de julho de 1823. O bem elaborado folheto distribuído pela ABRAF nos conta ainda que o forte fora o principal relógio público de Salvador, disparando tiros que ressoavam num raio de 80 quilômetros, às 4h da manhã e às 9h da noite.
Explorando o São Marcelo
Visitando as 30 salas do forte pisávamos agora o mesmo chão onde pisaram personagens históricos como Bento Gonçalves, da Revolução Farroupilha, e Cipriano Barata, líder da Revolta dos Alfaiates que ali estiveram presos. Na caminhada com o guia não podíamos deixar de notar que o Forte pede ajuda. Não há mobiliário, nenhuma das suas peças de artilharia está por lá e há até mesmo paredes e piso que foram cobertos de azulejo e cerâmica modernos, desfigurando o monumento. Não há energia elétrica nem instalações sanitárias para uso dos visitantes mas sabe-se que a direção da ABRAF já está providenciando a instalação de um banheiro químico e vislumbra a revitalização do forte com inclusão de atividades temáticas, recolocação dos antigos canhões, uso de uniformes de época e a implantação de lanchonete e lojas de souvenirs. O passeio em si torna-se pobre devido às condições físicas e de ambientação do forte, mas serve ao mesmo tempo como denúncia e alerta para a necessidade de uma ação reparadora.
Ao final dos cerca de 60 minutos de passeio, o guia nos acompanha até o píer de onde o barco nos trará de volta à terra firme em cinco minutos de travessia. Do passeio resta a consciência de que ainda não se fez tarde para resgatarmos o Forte São Marcelo, mas que é preciso a sociedade civil engajar-se na luta pela sua recuperação, inclusive cobrando ação dos poderes públicos. E é claro que ficou também o gostinho de ter finalmente conquistado e incorporado ao nosso acervo de riquezas o antes intocável umbigo da Bahia.

Fortes


Visitar os fortes de Salvador é fazer uma viagem de volta ao passado e conhecer mais sobre a história da capital baiana.
HistóriaA cidade de Salvador nasceu sob o signo da defesa. Os portugueses deram início à implantação de um sistema de defesa que evoluiu até o século XVIII. Uma grande muralha de taipa e barro, suficiente contra as flechas dos índios foi a primeira obra militar portuguesa na Capital.Com o passar dos anos, a muralha foi ampliada e reforçada em pedra e sal, ganhando baluartes na parte do mar e torres encasteladas nas portas voltadas para o São Bento e o Carmo.Logo, as preocupações de defesa se voltaram para o mar, de onde os corsários estrangeiros ameaçavam a cidade. Inútil contra a artilharia da época, a velha muralha deu lugar a um eficiente sistema de defesa em profundidade, com trincheiras, muralhas e fortificações, construídas em lugares estratégicos e armadas de acordo com a evolução da arte da guerra.Alguns projetos nasceram da criatividade dos militares portugueses, outros foram desenhados por engenheiros militares das escolas italianas e francesas, contratados pelo governo colonial. A idéia era sempre aproveitar as condições naturais do terreno para as necessidades de defesa e o exercício da mais bela plasticidade.


Forte de São Marcelo: Inicialmente de madeira, foi todo reconstruído em alvenaria em 1624 para enfrentar os holandeses. Em 1650, ganhou a definitiva forma circular. Só tem acesso de barco.